Conexão BR · Podcast · Episódio Especial
Empreendedorismo na Prática: do Pequeno Negócio Local à Forbes Under 30
Convidado
Ricardo Sechis — Empresário, pecuarista, sócio-fundador da Ricco Burger, sócio da Beef Passion e integrante da lista Forbes Under 30 de 2024. Começou a empreender ainda adolescente, vendendo espetinhos na porta da escola, e hoje lidera operações que combinam pecuária, gastronomia e marcas de alto desempenho.
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“Empreender de verdade não começa quando o negócio dá certo. Começa muito antes — na disciplina de quem decide aparecer todos os dias, mesmo quando ninguém está olhando.”
No mais recente episódio do Conexão BR, o podcast do BR.Offices gravado nos estúdios da Flexcast Studios em Brasília, recebemos Ricardo Sechis: empresário, pecuarista, sócio-fundador da Ricco Burger, sócio da Beef Passion e um dos nomes selecionados para a lista Forbes Under 30 de 2024. Uma trajetória que começou na adolescência, vendendo espetinhos na porta da escola, e que hoje atravessa do campo ao prato em operações de alto desempenho.
Ao longo da conversa, Ricardo abriu os bastidores de uma jornada construída no contraponto entre instinto e estrutura: os aprendizados do início, como nasceu a Ricco Burger, os desafios do crescimento, a cultura que sustenta as suas empresas, o papel da saúde física e mental na liderança e as competências que ele acredita serem indispensáveis para os empreendedores do futuro.
Capítulo 01
Dos Espetinhos na Porta da Escola à Forbes Under 30
Os aprendizados do início de uma jornada empreendedora real
A história de Ricardo não começa em sala de aula de MBA, nem em uma rodada de investimento. Começa na calçada, com uma churrasqueira improvisada e a coragem adolescente de vender espetinhos para os colegas na saída da escola. Foi ali que ele descobriu, na prática, três coisas que nenhum livro entrega com a mesma intensidade: o valor do dinheiro feito com as próprias mãos, a importância de entender o cliente cara a cara e o peso da palavra dada.
Esse início pequeno — mas formativo — foi o terreno onde se desenharam as bases de tudo o que viria depois. Antes de ser sócio de marcas e de figurar em listas, Ricardo aprendeu a empreender da forma mais honesta que existe: testando, errando, ajustando e voltando no dia seguinte.
“O espetinho na porta da escola me ensinou mais sobre negócio do que qualquer curso. Ali eu entendi que quem decide se você continua amanhã é o cliente — não o seu plano de negócios.”
— Ricardo Sechis
O salto até a Forbes Under 30 não veio por sorte nem por uma única grande sacada. Veio pela repetição obstinada de pequenas decisões certas: estar perto da operação, escolher sócios pelo caráter antes do currículo, e tratar cada erro como matéria-prima de uma versão melhor do próprio negócio.
Capítulo 02
Ricco Burger: Como Nasce uma Marca que Cresce com Identidade
Os desafios reais por trás de transformar uma boa ideia em uma operação consistente
A Ricco Burger não nasceu como projeto de franqueado nem como tese pronta de mercado. Nasceu de uma obsessão antiga de Ricardo com carne de qualidade — herdada da convivência com o campo — e do desejo de oferecer um hambúrguer que tivesse, no produto final, o mesmo cuidado que um pecuarista tem na origem do gado.
Os primeiros desafios não foram de marketing: foram de fornecimento, padrão e disciplina operacional. Como manter o mesmo blend, o mesmo ponto, o mesmo atendimento quando a fila começa a dobrar a esquina? Como crescer sem que o crescimento, sozinho, comece a destruir aquilo que fez a marca valer a pena em primeiro lugar?
“Crescer é fácil. Difícil é crescer sem virar uma versão pior de si mesmo. Cada nova unidade tem que carregar a mesma alma da primeira — ou a marca começa a se diluir antes mesmo de você perceber.”
— Ricardo Sechis
A resposta veio na combinação entre processo e propósito: padronizar o que precisa ser padronizado (insumo, ficha técnica, treinamento, indicadores) e proteger ferozmente o que não pode ser padronizado (a experiência do cliente, o tom da marca, a relação com o time). Foi essa fronteira clara que permitiu a Ricco Burger crescer sem virar commodity.
Capítulo 03
Cultura, Gestão de Pessoas e a Liderança Como Hábito
Por que cultura organizacional não está no quadro da parede — está no comportamento do líder
Para Ricardo, cultura organizacional não é um manual nem um discurso bonito de fim de ano. É o conjunto de comportamentos que o time imita do líder — para o bem ou para o mal. Times observam tudo: como o sócio reage à pressão, como trata um fornecedor, como dá um feedback duro, como se comporta no dia em que o resultado não veio.
“A cultura da empresa é o pior comportamento que o líder tolera. Não é o que está escrito na parede — é o que ele aceita silenciosamente.”
Por isso, gerir pessoas, para ele, começa pela coerência: cobrar de si mesmo, primeiro, o padrão que se cobra dos outros. Disciplina não é uma exigência imposta ao time; é um exemplo que se oferece. Quando o fundador trata pontualidade, organização e cuidado como inegociáveis na própria rotina, o time passa a tratá-los assim também — sem precisar de discursos.
E há um segundo elemento, mais sutil: liderar é também desenvolver gente. Promover, treinar, dar autonomia, errar junto, corrigir com clareza. Empresas que duram não são feitas de funcionários — são feitas de pessoas que crescem dentro delas. A liderança, ao final, é o hábito diário de construir um ambiente onde isso seja possível.
Capítulo 04
Saúde Física, Mental e Emocional: O Ativo Invisível do Empreendedor
Por que nenhum negócio cresce de forma sustentável sobre um fundador exausto
Há uma narrativa romântica no empreendedorismo que glamouriza noites mal dormidas, refeições puladas e um corpo permanentemente em dívida. Ricardo é categórico sobre isso: essa lógica não escala. Em algum momento, ela cobra a conta — e a cobra justamente da pessoa que mais precisa estar inteira: o fundador.
Treinar, dormir bem, comer com qualidade, cuidar da saúde mental e ter espaço para a vida fora da empresa não são luxos de quem já chegou. São infraestrutura de quem quer continuar tomando boas decisões por muitos anos. Decisão cansada é decisão cara: cansaço acumulado se transforma em impulsividade, em conflito mal gerenciado, em sociedade desfeita.
“Cuidar do corpo e da cabeça não é hobby de empreendedor — é o ativo mais subestimado da empresa. Um fundador inteiro toma decisões melhores. E é decisão, no fim, que constrói ou destrói qualquer negócio.”
— Ricardo Sechis
O lado emocional, segundo ele, é o menos discutido e o mais determinante. Empreender é uma sequência longa de pequenas frustrações: contratações que não dão certo, sócios que decepcionam, mercado que muda do dia para a noite. Quem não trabalha o próprio emocional — com terapia, com mentoria, com pares — acaba descontando esse peso no time e na própria família. E nenhuma empresa compensa esse custo.
Capítulo 05
O Empreendedor do Futuro: Crescer sem Perder Propósito
As competências indispensáveis para construir empresas que duram
Quando provocado sobre o que define o empreendedor da próxima década, Ricardo evita as respostas fáceis. Não cita uma tecnologia, nem uma tendência. Cita quatro competências quase artesanais: clareza de propósito, capacidade de execução, leitura humana e disciplina de longo prazo. Tudo o mais — IA, marketing, expansão internacional — é ferramenta. Essas quatro são fundação.
Clareza de propósito é o que impede o empreendedor de aceitar qualquer dinheiro, qualquer sócio, qualquer oportunidade. Execução é o que separa quem fala bonito de quem entrega. Leitura humana é o que permite escolher as pessoas certas — e essa, no fim, é a decisão que mais determina o destino de uma empresa. E disciplina de longo prazo é o que torna possível atravessar os anos em que nada acontece, esperando o momento em que tudo acontece.
“Construir uma empresa que cresce sem perder propósito é uma das coisas mais difíceis que existe. Exige dizer não muito mais vezes do que dizer sim — e ter coragem para abrir mão de oportunidades que parecem boas, mas que afastam você do motivo pelo qual começou.”
— Ricardo Sechis
No encerramento, Ricardo deixa uma síntese poderosa para quem está começando — e também para quem já está há tempos na estrada: o propósito não é um luxo de quem já chegou; é a bússola de quem ainda está caminhando. Crescer importa. Mas crescer continuando a reconhecer a empresa que você construiu — e a pessoa que você se tornou no processo — é o que, no fim, transforma sucesso em legado.
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Esse episódio é uma produção do BR.Offices em parceria com a Flexcast Studios.
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